Apresentação de Henrique e Juliano no Maracanã e liderança de Diego e Victor Hugo nas rádios expõem vigor sertanejo

  • 03/01/2026
(Foto: Reprodução)
A dupla Henrique e Juliano se apresenta hoje, 3 de janeiro, no estádio carioca Maracanã para público de 60 mil pessoas Randes Filho / Divulgação ♫ ANÁLISE ♬ Entra ano, sai ano e a música sertaneja continua reinando Brasil afora em império que abarca cidades outrora refratárias ao gênero, caso do Rio de Janeiro (RJ). Hoje, 3 de janeiro, primeiro sábado de 2026, a dupla Henrique e Juliano sobe ao palco do Maracanã – o maior e mais mítico estádio carioca – para fazer show para 60 mil pessoas que correram para comprar ingressos tão logo eles foram postos à venda em setembro. E cabe ressaltar que esses ingressos se esgotaram em pouco mais de 24 horas. Não se trata de um fenômeno isolado. A música mais tocada nas rádios ao longo de 2025 foi “Tubarões”, de outra dupla sertaneja, Diego e Victor Hugo. O concorrido show de Henrique e Juliano no Maracanã e a liderança de Diego e Victor Hugo nas rádios – veículo que já não dá as cartas no mercado fonográfico, mas ainda tem certo peso nos vastos interiores do Brasil – reiteram a força nacional da música sertaneja. Essa força sempre se renova a cada ano com o surgimento de novas duplas e cantores. E também com a capacidade do gênero de se adaptar às demandas do mercado, inclusive no que diz respeito à sonoridade do sertanejo. A música sertaneja sempre foi mudando desde que o mercado foi aberto em 1929 pelo escritor e folclorista paulista Cornélio Pires (1884 – 1958) com a gravação de temas caipiras. Se um dia Chitãozinho & Xororó foi considerada uma dupla moderna pelo som mais urbano, lá pelos anos 1970, em contraponto ao som mais caipira e tradicional de duplas antecessoras como Tonico & Tinoco, atualmente os irmãos paranaenses simbolizam, eles próprios, a tradição de um gênero que vem caminhando junto e misturado com ritmos latinos, como a bachata, e que vem fazendo conexões como outros gêneros do mainstream, como o forró e o funk. Para se manter relevante sob o prisma empresarial, a música sertaneja passou a seguir padrões no mercado do século XXI, marcado pelo aparecimento em 2005 do subgênero intitulado sertanejo universitário. Hoje já é difícil identificar a assinatura musical de cada dupla. A última que teve um DNA próprio foi Victor & Leo, revelação dos anos 2000. Até as capas dos álbuns se parecem umas com as outras. Contudo, alheio a essa padronização que rege a massificação do universo sertanejo, o público continua consumindo a música sertaneja com avidez. E é justamente por contar com a adesão popular que o gênero – ainda predominantemente masculino, mas já com várias mulheres com vozes ativas, casos de Ana Castela e Simone Mendes – segue vivo na preferência popular. A música sertaneja fica centenária daqui a três anos sem perder o fôlego mercadológico. Ao contrário, do ponto de vista estritamente empresarial, os sinais vitais do universo sertanejo estão inteiramente preservados.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/01/03/apresentacao-de-henrique-e-juliano-no-maracana-e-lideranca-de-diego-e-victor-hugo-nas-radios-expoem-vigor-sertanejo.ghtml


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